A ArcelorMittal Brasil, responsável por 42% da produção de aço nacional, já produz cerca de 22% do seu aço a partir de sucata metálica, reciclando aproximadamente 3 milhões de toneladas de sucata por ano no país. Em sua rota de produção de aços longos, a participação da sucata como matéria-prima já chega a 54%. Segundo a companhia, quanto mais sucata é usada no processo, maior a redução de emissão de CO2, o que torna o material cada vez mais estratégico dentro das metas de neutralidade de carbono do setor.

O ganho não é só ambiental. Estudos do setor mostram que a sucata ferrosa pode reduzir em até 75% o consumo de energia necessário para produzir aço, quando comparada à produção a partir de minério de ferro. Para o alumínio, essa economia energética chega a cerca de 95%. Isso explica por que grandes siderúrgicas vêm investindo pesado em parcerias de logística e processamento de sucata, como o contrato firmado entre o Grupo SADA e a ArcelorMittal para estruturar um novo entreposto de armazenamento e movimentação de sucata metálica na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

 

Tecnologia entrando na triagem da sucata

Outro ponto que vem ganhando espaço é o uso de inteligência artificial e visão computacional para melhorar a qualidade do material reciclado. Soluções de triagem automatizada permitem separar sucata com maior precisão, elevando o padrão químico do material usado nos fornos elétricos a arco. Na prática, isso significa menos impureza, mais rendimento produtivo e menor necessidade de retrabalho no processo de fundição, o que reduz ainda mais o consumo energético da cadeia.

 

Por que isso interessa a quem corta e processa metal

Para operações que trabalham com corte de chapas, seja a laser, plasma ou guilhotina, a sobra de material deixou de ser apenas um custo de descarte para se tornar um ativo com valor de mercado mais claro. Alguns pontos práticos que esse movimento traz para o chão de fábrica:

- A sucata gerada no corte tem valor comercial mais previsível, à medida que siderúrgicas estruturam cadeias de compra mais organizadas e pagam melhor por material de boa qualidade e rastreabilidade conhecida.


-O aproveitamento do plano de corte ganha peso duplo na conta: menos desperdício significa menos matéria-prima nova comprada e, ao mesmo tempo, menos sucata de baixo valor sendo descartada sem controle.


- A logística de coleta e separação da sucata começa a interessar diretamente ao pequeno e médio fabricante, não só às grandes siderúrgicas, já que a qualidade e a organização do material influenciam diretamente o preço pago por ele.


Um desafio ainda em aberto: logística

Apesar do avanço, especialistas do setor apontam que as dimensões continentais do Brasil ainda tornam a logística um fator limitante para levar sucata de regiões mais distantes até os grandes centros de reciclagem. Esse é um tema que deve seguir em debate em eventos técnicos do setor siderúrgico ao longo do ano, já que resolver esse gargalo logístico é visto como um dos próximos passos para ampliar ainda mais o retorno da sucata ao ciclo produtivo brasileiro.


Este conteúdo tem caráter informativo, com base em dados públicos da ArcelorMittal Brasil e reportagens especializadas em siderurgia e economia circular. Consulte sempre um comprador de sucata ou especialista do setor para avaliar as condições comerciais aplicáveis ao seu material.